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Nutrição vegetal x qualidade – Sabor e conservação pós-colheita dos alimentos 17/04/2011

O Brasil, como um país continental, priorizou apenas a produtividade até aos dias de atuais, condição considerada ”sine qua non” para a permanência e a viabilidade dos empresários rurais no campo, porém, faz-se necessário correr atrás da “qualidade”, componente sem a qual jamais conseguiremos disputar os mercados internacionais.

Assim, tentarei resumir em poucas palavras o que a nutrição vegetal tem de muito importante nesta área. Todos os atores que desejarem permanecer e disputar os melhores preços do mercado terão que, daqui para frente, visualizar a qualidade, que é determinada 80% pela nutrição vegetal, que deve ser a mais racional, equilibrada e fornecida de acordo com todos os predicados já mencionados.

Antes de se estabelecer a curva de absorção para macro e micronutrientes relacionada com o cultivo pretendido, é imperioso que o técnico leve em consideração os seguintes pontos fundamentais:

A correção do pH, CTC, V% e matéria orgânica deverá ser considerada o primeiro passo e só após esta etapa bem corrigida e concluída com antecedência se deve atender ao gerenciamento e fornecimento de NPK. Deste procedimento estratégico dependerão sobremaneira o aproveitamento radicular dos nutrientes aplicados, pois em caso de padrões iguais ou inferiores a pH 4.5 e de CTC abaixo de 6 cmols/dm³ o aproveitamento será apenas de 15 a 20% de todos os fertilizantes colocados, o que jamais poderá ser reposto por qualquer complementação foliar posterior.

A incidência de doenças foliares que poderão comprometer em alguns casos 100% do cultivo, muitas vezes são uma consequência direta do emprego excessivo de adubos nitrogenados em padrões muito acima daqueles que deveriam ser considerados na ocasião do estabelecimento da curva de absorção. Lavouras nestas condições são muito mais suscetíveis a requeimas, ferrugens, antracnoses, sarnas e outras enfermidades de menor monta, que comprometem sobremaneira não só o rendimento como a qualidade da produção final.

Por outro lado, não poderemos esquecer que quando o nitrogênio se encontra em excesso, também dificulta a absorção de potássio, cálcio e magnésio, ocasionando frutos aguados, sem coloração, sabor ou qualquer conservação pós-colheita e muitas vezes danificados com mais de 45% de fundo preto, como no caso do tomate e queima de borda nas folhas de alfaces, tornando-as imprestáveis para comercialização.

Equilíbrio nutricional

Os produtores de HFF também não poderão ignorar que aplicações exageradas de estercos, especialmente de galinha, em quantidades muito acima do recomendado provocam os mesmos problemas, além de muitas vezes contaminarem não só o lençol freático, como o próprio solo com fungos fitopatogênicos de difícil controle, sempre que aplicados sem que se encontrem previamente compostados e estabilizados.
Entretanto, o emprego racional do nitrogênio proporcionará um crescimento mais vigoroso, assim como determinará um verde mais robusto, um maior processamento de vitaminas e enzimas vitais, como é o responsável direto pelo patamar de produtividade máxima que se deveria alcançar.

O fósforo é um nutriente que se encontra em condições de deficiência crônica na maioria dos pomares nacionais, especialmente de citros e café, pelo emprego sistemático de P2O5 solúvel em água, o qual se indisponibiliza rapidamente e permanece retido no solo, sem que as plantas tenham acesso ao investimento realizado pela maioria dos produtores.
Por esta razão, é muito comum cafeicultores e citricultores afirmarem peremptoriamente, que adubam seus pomares com P2O5 solúvel em água, como MAP, supersimples e supertriplo, mas que os níveis foliares não aumentam na mesma proporção.

Plantas cultivadas em solos com níveis críticos de fósforo permanecem muito aquém do desejado, com tudo pequeno e comprometido, como raízes insipientes, crescimento reduzido, florada insignificante, mau pegamento de frutos, produção desuniforme e qualidade final indesejável. Este nutriente é fundamental para a síntese de ATP (adenosina trifosfato) que rege todas as funções vitais das plantas.

Qualidade de frutos

O potássio está muito relacionado com a resistência a doenças e qualidade dos frutos. Assim, lavouras mal administradas em relação ao suprimento deste nutriente apresentam muito mais suscetibilidade à maioria das doenças características de cada cultivar.

Os frutos produzidos com níveis inferiores aos recomendados ficam com metade do seu tamanho, sem coloração, sem aromas característicos, sem brix e, portanto, sem sabor. O K2O é também responsável pelo crescimento dos tecidos meristemáticos e a formação de carboidratos.

O cálcio é, em algumas espécies, o terceiro nutriente absorvido em maior quantidade, como na maioria das solanáceas. Participa fundamentalmente da formação das paredes celulares e formação radicular.

É diretamente responsável pela qualidade final dos frutos, provocando, quando em falta, distúrbios fisiológicos como o fundo preto em tomate e pimentão e o “tip burn” em alface e repolho. O suprimento adequado deste nutriente em brássicas impede sobremaneira o apodrecimento prematuro das cabeças, na fase de pré-colheita, especialmente no verão, quando ocorrem chuvas excessivas.

O macronutriente secundário magnésio é fundamental para a formação da clorofila e sintetização de enzimas relacionadas com o metabolismo energético. Está relacionado também com a maior resistência a doenças foliares, coloração mais intensa da uva vínica, dos aromas do café e da coloração intensa do tomate.

O enxofre é outro elemento essencial ligado à síntese de proteínas, formação de clorofila e absorção de gás carbônico.

Aplicação certa

Quanto à administração de micronutrientes, é oportuno clarificar que estes participam com apenas algumas centenas de gramas por hectare. Por esta razão, se os teores de matéria orgânica se encontrarem na faixa de 3%, dificilmente os mesmos faltarão na maioria dos solos, outro paradigma que muitos mistificam sem qualquer razão coerente.

Produção final

O Brasil é hoje um dos líderes mundiais na produção de grãos, assim como de vários outros mercados do agronegócio, porém, é hora de pensarmos não só na produtividade, mas em especial na qualidade da produção final, que ainda fica muito a desejar, especialmente na produção de olerícolas, frutas tropicais e temperadas, setores onde teremos que disputar em breve o mercado internacional cada vez mais competitivo.
O conceito de sustentabilidade e do politicamente correto teria que, de imediato, fazer parte de todos os principais fornecedores de insumos agrícolas, que deveriam ver, obrigatoriamente, a “nutrição vegetal” como uma especialidade agronômica muito mais nobre e estratégica, do que, por exemplo, as novas tecnologias de GMO’s (Genetically Modified Organism).

Conforme focado anteriormente, a verdadeira nutrição vegetal não permite erros preliminares para correção posterior, especialmente em cultivos de ciclo curto, em que o tempo não faculta soluções paliativas de forma a amenizar tanto a falta de investimento como o relapso, em relação a todas as etapas consideradas estratégicas nesta área.

Querer construir alicerces em cima de telhados não tem qualquer lógica e muito menos alguma funcionalidade em qualquer lugar do planeta. Infelizmente ainda há muitos que assim procedem e a esses resta apenas deixarem o mercado para quem deseja fazer uma agricultura cada vez mais profissional, mais racional e mais pujante, visando um futuro que desejamos, que seja cada vez melhor para todos e em especial para o Brasil.